Histórias Difíceis, Legados Difíceis: como ensinar e falar sobre escravatura e comércio transatlântico de escravos turma B5_2026
Apresentação
RAZÕES JUSTIFICATIVAS/CONTEXTO/ ENQUADRAMENTO (MAX. 750 CARATERES) A complexa história da escravatura e os seus legados no presente continuam ausentes dos programas escolares. O comércio de escravos é introduzido enquanto mera parte de um comércio triangular no qual as pessoas escravizadas eram equiparadas a mercadorias. Apesar da sociedade portuguesa apresentar um problema de racismo estrutural vide Memo UE Março 2021 [CommDH(2021)4] os discursos públicos continuam a reproduzir a ideia de que não há racismo em Portugal. Esta formação expõe os professores a metodologias mais inclusivas, equitativas e representativas, para um melhor envolvimento dos alunos. Terá ainda uma componente pública, com a organização de duas conferências proferidas por académicos portugueses e norte-americanos.
Destinatários
Professores dos Grupos de Recrutamento 200, 400 e 420
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores dos Grupos de Recrutamento 200, 400 e 420. Mais se certifica que, para os efeitos previstos no artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores dos Grupos de Recrutamento 200, 400 e 420.
Objetivos
Compreender a importância e influência do comércio transatlântico de escravos na formação de determinados eventos históricos nacionais e globais. Compreender os legados da escravatura na sociedade portuguesa. Compreender o significado de racismo estrutural e suas consequências. Desenvolver abordagens pedagógicas para abordar o tema promovendo um melhor entendimento da complexidade desta história, e seus impactos em diversos domínios da sociedade (economia, política, cultura, etc.). Fornecer recursos e fontes para o desenvolvimento futuro de instrumentos pedagógicos para a abordagem deste tema. Desenvolver instrumentos pedagógicos para abordar o tema de forma inclusiva, representativa, equitativa, e com significado ético e histórico.
Conteúdos
CONTEÚDOS Tendo como base a experiência das formadoras e académicos norte-americanos, brasileiros e portugueses especialistas no ensino da história da escravatura, esta formação expõe os professores a esta história difícil e a um conjunto diverso de fontes a partir das quais poderão desenvolver novas abordagens pedagógicas e instrumentos de aprendizagem para utilizar na sala de aula. 1. O que é património e identidade, como se forjam memórias (e amnésias coletivas). 2. Como (não) se fala de escravatura e de tráfico de escravizados em Portugal. Mitos da historiografia pública portuguesa: omissões, erros, distorções, continuidades coloniais. Razões para a reprodução e persistência destes mitos na memória coletiva e discurso identitário português. Importância de um plano curricular inclusivo: o que falta fazer. 3. O ensino da história e materiais escolares: perspetiva crítica. Os oradores apresentarão a sua perspetiva sobre este tema e partilharão as suas experiências relativamente a métodos e abordagens pedagógicas. 4. Como contar uma história difícil na sala de aula: metodologias e uso da linguagem. Humanização da história através da utilização de micro-histórias de resistência e liberdade (insubmissão, revoltas, sabotagens, reapropriação simbólica, reconstrução de cosmologias). Exemplos de micro-histórias presentes em fontes primárias e secundárias, e desenvolvidos através da pesquisa realizada pelo Slave Wrecks Project em Portugal, Moçambique, África do Sul, Brasil e EUA. 5. Ensino da história da escravatura e do tráfico de escravizados: perspetiva comparativa. Os oradores convidados apresentarão aspetos da sua experiência profissional no ensino da história da escravatura em Portugal, nos EUA e no Brasil, e partilharão algumas das metodologias usadas no seu trabalho pedagógico e de pesquisa. 6. Coleções difíceis e descolonização museológica: a sala de aula no CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian e na Coleção Gulbenkian. No Museu Nacional de História Natural e Ciência da Universidade de Lisboa, onde os formandos contactam com algumas coleções coloniais, e abordam as questões éticas inerentes à curadoria destas peças (incluindo a decisão de mostrar ou não mostrar ao público). 7. Exercícios de grupo: criação de instrumentos pedagógicos para serem utilizados na sala de aula a partir de guiões. Discussão de estratégias e métodos de abordagem e de criação.
Metodologias
Exposição dos conteúdos de forma teórica e prática, com recurso a textos de apoio e materiais audiovisuais. Workshops de leitura promovendo o diálogo participativo, a reflexão e análise crítica dos materiais de leitura, incluindo fontes primárias e secundárias. Apresentação de casos de estudo com base no trabalho de investigação desenvolvido pelo Slave Wrecks Project e seus parceiros internacionais, bem como pelas equipas educativas do Museu Gulbenkian, do Centro de Arte Moderna e de curadoria do MUHNAC e do Museu de Lisboa. Debate e discussão conjunta dos materiais e conteúdos apresentados. Experimentação de métodos e abordagens: estratégias de humanização e materialização, e criação colaborativa de instrumentos pedagógicos concretos para usar na sala de aula. Cada formação terminará com uma conversa aberta ao público, na qual participarão os académicos convidados. Mais informações, por favor consultar https://gulbenkian.pt/agenda/historias-dificeis-legados-dificeis-como-ensinar-e-falar-sobre-escravatura/
Avaliação
Os formandos devem frequentar, pelo menos, 2/3 do número de horas da ação. A classificação dos formandos será feita por níveis de desempenho na escala de 1 a 10, com a menção qualitativa de: 1 a 4,9 valores Insuficiente; 5 a 6,4 valores Regular; 6,5 a 7,9 valores Bom; 8 a 8,9 valores Muito Bom; 9 a 10 valores - Excelente. A avaliação dos formandos é contínua, assente na sua participação durante todas as ações da formação. Adicionalmente, os formandos desenvolverão em grupo, um instrumento pedagógico (Storymap, video, podcast ou outro) para ser usado em sala de aula, e construído a partir de um dos guiões fornecidos no início da formação e explorados durante a mesma. Este instrumento será avaliado de acordo com critérios de inclusividade, equidade, representatividade e linguagem utilizada, bem como de acordo com os conceitos e conteúdos analisados durante a formação. Os grupos de formandos terão oportunidade de realizar um encontro por videochamada com um dos formadores após o curso para discutir estratégias de criação do instrumento pedagógico e solicitar orientação. Os formandos devem frequentar, pelo menos, 2/3 do número de horas da ação. A classificação dos formandos será feita por níveis de desempenho na escala de 1 a 10, com a menção qualitativa de: 1 a 4,9 valores Insuficiente; 5 a 6,4 valores Regular; 6,5 a 7,9 valores Bom; 8 a 8,9 valores Muito Bom; 9 a 10 valores - Excelente. A avaliação dos formandos é contínua, assente na sua participação durante todas as ações da formação. Adicionalmente, os formandos desenvolverão em grupo, um instrumento pedagógico para ser usado em sala de aula. Este instrumento será avaliado de acordo com critérios de inclusividade, equidade, representatividade e linguagem utilizada, bem como de acordo com os conceitos e conteúdos analisados durante a formação. Os grupos de formandos terão oportunidade de realizar um encontro por videochamada com um dos formadores após o curso para discutir estratégias de criação do instrumento pedagógico e solicitar orientação.
Bibliografia
Caldeira, Arlindo M. 2017. Escravos em Portugal: Das Origens ao Século XIX. Lisboa: Esfera dos Livros.Caldeira, Arlindo M. 2024. O Apelo da Liberdade: Resistência dos Africanos à Escravidão nas Áreas de Influência Portuguesa. Lisboa: Casa das Letras.Capela, José. 2012. Conde de Ferreira & Cª: Traficantes de Escravos. Porto: Afrontamento.Henriques, Isabel Castro. 2021. Guia Histórico para uma Lisboa Africana: do Século XV ao Século XXI. Lisboa: Edições Colibri.Rediker, Marcus. [2007] 2023. O Navio Negreiro: Uma História Humana. Lisboa: Editora Desassossego.
Observações
https://gulbenkian.pt/agenda/historias-dificeis-legados-dificeis-como-ensinar-e-falar-sobre-escravatura/ Equipa de formadores: Raquel Machaqueiro Lucimar Felisberto dos Santos Aurora Almada e Santos Marta Araújo Orlando Serrano Inês Brandão Susana Gomes da Silva Marta C. Lourenço
1 29-06-2026 (Segunda-feira) 10:00 - 17:00 7:00 Presencial 2 30-06-2026 (Terça-feira) 10:00 - 17:00 7:00 Presencial 3 01-07-2026 (Quarta-feira) 10:00 - 17:00 7:00 Presencial 4 02-07-2026 (Quinta-feira) 10:00 - 17:00 7:00 Presencial 5 03-07-2026 (Sexta-feira) 10:00 - 17:00 7:00 Presencial 6 03-07-2026 (Sexta-feira) 18:00 – 20:00 2:00 Presencial
Formador
Raquel Sofia Rodrigues Rosa Machaqueiro
Ines Brandao
Susana Gomes da Silva
Cronograma
| Sessão | Data | Horário | Duração | Tipo de sessão |
| 1 | 29-06-2026 (Segunda-feira) | 10:00 - 17:00 | 7:00 | Presencial |
| 2 | 30-06-2026 (Terça-feira) | 10:00 - 17:00 | 7:00 | Presencial |
| 3 | 01-07-2026 (Quarta-feira) | 10:00 - 17:00 | 7:00 | Presencial |
| 4 | 02-07-2026 (Quinta-feira) | 10:00 - 17:00 | 7:00 | Presencial |
| 5 | 03-07-2026 (Sexta-feira) | 10:00 - 17:00 | 7:00 | Presencial |
| 6 | 03-07-2026 (Sexta-feira) | 18:00 - 20:00 | 2:00 | Presencial |